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(Preta), o epíteto.

por Orlando Figueiredo, em 14.05.21

E de repente, como que por nada, uma agência noticiosa publica um comunicado que é copiado e reproduzido na integra por diversos órgãos de comunicação social. A jusante do nome da deputada do PS Romualda Fernandes o epíteto (Preta), entre parêntesis, como se pode ver na imagem abaixo.

Sim, claro que saiu por acidente. A Lusa não se que meter em trabalhos. Mas quem o escreveu, ainda que com a intenção de o apagar, não o fez por acidente, fê-lo por racismo – é, com certeza, uma pessoa de bem!. O mesmo racismo estrutura que permeia a sociedade portuguesa e que muitos recusam ver. A justiça exige que se apurem responsabilidades e se condene o culpado, mas se bem conheço os brandos costumes desta sociedade julgo que tudo será sarado com um mais ou mesmo hipócrita pedido de desculpas. É isto que tem de mudar.

Entretanto todos, independentemente da cor da pele, temos de levar com o vexame perpetrado pelos energúmenos e sancionado pelas mentes medíocres e reacionárias dos negacionistas do racismo estrutural.

O comunicado foi redigido por Hugo Godinho, jornalista sempre disponível para acompanhar as iniciativas do único partido que me recuso a denominar.

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publicado às 11:11

We All Failed J.

por Orlando Figueiredo, em 03.05.21

J. died. J. would be 17 in a few days, on May 7, but he didn’t get there. It was suicide. J. could not see an alternative way and took his own life. Everything could have been different. All J. had to do was to support a few more months (years, perhaps, or weeks, maybe days or even hours only) and then he would have lived until his eighties or nineties or even one hundred, who can tell? With granddaughters and grandsons maybe grand granddaughters and grand grandsons (biological or not, who cares? Only stupid people do!) to whom J. could tell his teen adventures and teach how to overcome the bitterness of life.

But it was not possible. J. thought life was a burden too heavy to carry and decided to alleviate himself of it.

I was not acquainted with him, but we crossed a few times in the corridors. J. was always surrounded by friends (mainly girls, but also some boys). Sometimes with make-up on his eyes and lips. Other times (maybe a late wake up) just bare skin, but always truthful to himself, and… smiling. If it came that our eyes would meet, I would smile (in approval and acceptance), not always with reciprocity.

Maybe I shouldn´t, even if I often smile to students while walking the corridors. Maybe he didn’t want to be noticed and thought that my smile was not as genuine and truthful as it really was. Maybe all he wanted was just to pass by with his green lipstick covered lips and the make-up on his eyes and be allowed just to be, like everybody else that didn’t put lipstick or make-up on his eyes.

Maybe not being noticed was all that he wanted. But that didn’t happen, and, who knows, if that wasn’t the reason why life was a burden too heavy to carry for such a young person?

That’s why WE ALL FAILED J. It’s not a matter of guilt (that would be too small, too narrow, to describe the intricacy of human life). It’s a matter of how things are and how things should be. It’s a matter of why can’t we just let people BE?!

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publicado às 22:49

O Racismo em Portugal

Entrevista de Mamadou Ba à QiNews

por Orlando Figueiredo, em 20.02.21

Mamadou Ba falou com a Qi sobre o racismo em Portugal. A importância com que o tema é tratado na esfera política, os próximos passos do movimento dos sujeitos racializados, e os seus recentes envolvimentos no espaço público foram alguns dos temas tratados nesta conversa, na sede do SOS Racismo.

Um trabalho de António Pacheco Castelo.

Entrevista publicada a 17 de setembro de 2019.

A Qi News é uma revista digital multimédia focada na injustiça social e nos seus sistemas de perpetuação – conscientes ou inconscientes; premeditados ou involuntários; institucionais ou informais; conspícuos ou invisíveis.

www.qinews.pt

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publicado às 08:08

Cancel Culture

Um esclarecimento

por Orlando Figueiredo, em 19.02.21

Há já algum tempo que vejo pessoas, geralmente associadas às formas hegemónicas e opressivas do discurso social, preocupadas com o que se tem vindo a chamar de cancel culture. Talvez seja importante que essas pessoas compreendam que a cancel culture não foi uma invenção dos setores minoritários e oprimidos da sociedade que, no contexto das sociedades democráticas, têm vindo a reivindicar o lugar que é seu por direito. De facto, estes grupos foram historicamente alvo de cancelamento social que se perpetuou por vários séculos, precisamente por aqueles (no sentido de grupo social hegemónico e dominante) que hoje se queixam de verem os seus discursos cancelados. E, ao contrário do que acontece com a cancel culture atual, o cancelamento destas pessoas, a negação a uma cidadania plena, deveu-se e deve-se àquilo que elas são e não àquilo que elas fazem (e no fazer inclui-se o dizer/escrever).

 

 

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publicado às 16:20

E a montanha pariu...

...um pato

por Orlando Figueiredo, em 14.02.21

Sim, eu sei que são ratos, que as montanhas párem, mas como não conheço nenhum chamado Donald, tive de alterar o adágio.

O senado votou ontem com 57 votos a favor da condenação, dos quais 7 são de senadores republicanos, e 43 contra. Como era necessária uma maioria de 2/3, faltaram 10 votos para viabilizar o impeachment de Donald Trump. Sem grandes surpresas, os 43 senadores republicanos que votaram contra o impeachment depois de tudo o que aconteceu, mostram apenas que o partido se encontra refém de um bully racista e xenófobo e que teme enfrentar os democratas sem tal timoneiro. Aparentemente, os republicanos acreditam ainda haver espaço para Trump na via política americana.

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publicado às 09:19

Privilégios de brancos...

... terroristas

por Orlando Figueiredo, em 07.01.21

A desproporção entre a ação policial sobre as manifestações #BlackLivesMatter e a ação policial sobre um bando de terroristas brancos que decidiu tomar o Capitólio, é a evidência cabal do racismo estrutural que permeia a sociedade americana e, por acréscimo da sua hegemonia, as sociedades ocidentais. Este grupo de terroristas brancos teve o privilégio de tomar o senado, destruir propriedade pública, atacar o coração da democracia americana e fê-lo tendo por assistência as forças de segurança que ou não agiram ou não compareceram.

É o corolário da negação que muitos brancos fazem, porque acham (e é importante não esquecer que o achismo é sinónimo de ignorância) que o racismo não existe enquanto que, quando esgotados os argumentos racionais, deixam sair todo o seu preconceito num apelo (nem sempre disfarçado) à solidariedade branca. Vamos lá abrir os olhos.

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publicado às 18:56

Morreu Carlos do Carmo

Ficou o Fado

por Orlando Figueiredo, em 02.01.21

"Se uma pessoa faz as coisas pelas suas convicções, mesmo que erre, não fica mal consigo próprio."

Carlos do Carmo*

*Em entrevista à Noticícas Magazine, em 2014, depois de ser agraciado com o Grammy Latino.

 

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publicado às 08:47

Red, White and Blue - o filme

(BBC 2020)

por Orlando Figueiredo, em 31.12.20

Dr. Leroy Logan (Londres, 1957 - ), negro, filho de pais jamaicanos, abandonou uma promissora carreira na investigação científica no Royal Free Hospital, para se alistar na Policia Metropolitana de Londres (Met), em 1983. Esta decisão foi tomada após o seu pai ter sido vítima de violência por parte de dois agentes policiais da Met. Logan, assumiu a tarefa de aproximar a polícia e as comunidades que esta serve, nem sempre da forma mais adequada.

É esta a história que Steve McQueen nos conta em Red, White and Blue, o terceiro episódio da minissérie Small Axe, disponível na HBO Portugal. John Boyega, também conhecido pela sua interpretação de Finn, na trilogia Star Wars: O Despertar da Força, Os Últimos Jedi e A Ascensão Skywalker, encarna brilhantemente o papel do polícia londrino.

 

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publicado às 09:31

Mangrove - o filme

(BBC 2020)

por Orlando Figueiredo, em 13.12.20

Com o racismo e a violência policial por pano de fundo, o 1.º episódio — Mangrove — da série Small Axe em exibição no HBO Portugal, conta-nos a história do pequeno restaurante caribenho que abriu em Notting Hill, Londres, em 1968. Sustentado por desempenhos excecionais e marcantes, Mangrove é uma poderosa denúncia do racismo institucional que ainda hoje se faz sentir nas sociedades ocidentais.

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Fotografia: BBC iPLayer

 

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publicado às 15:58

A morte de Klaus

por Orlando Figueiredo, em 26.10.20

A cerca de dez dias do Natal de 1938, Klaus cai doente. Não consegue articular palavra. Além da tosse, apenas um ocasional gemido rouco foge da sua boca. O seu olhar perdido no vazio denuncia o torpor provocado pela febre escaldante. Mesmo para um leigo, o diagnóstico adivinha-se fácil. O asfixiante inchaço do pescoço, os véus brancos que lhe cobrem as amígdalas e a recusa dos alimentos devido às dores e dificuldades em engolir, são sintomas claros de uma difteria. Existem tratamentos e medicamentos que lhe podem salvar a vida. Uma traqueotomia poderia levar novamente o ar aos seus pulmões. Mas, para isso, Klaus precisa de intervenção médica.

Albert, avô de Klaus, tenta convencer o seu filho a chamar um médico, mas este rejeita a sua sugestão. O divórcio que Albert impôs a Mileva, sua mãe, deixou-lhe um ressentimento capaz de alimentar o prazer mesquinho em o contrariar. Mas, esta está longe de ser a razão por que o pai de Klaus lhe recusa tratamento médico.

Mary Baker – que no final do século XIX na costa este dos estados unidos fundou a Igreja do Cristo Cientista – afirma nos seus escritos que: hoje, como no tempo de Jesus, a cura se faz pela intervenção do Príncipe Divino. Nenhum tratamento médico é necessário ou recomendado. Apenas a oração, através da dissipação da doença e do pecado da consciência humana, pode curar.

Apesar da insistência de Albert, os pais de Klaus recusam pedir a ajuda de um médico. Limitam-se a rezar. Rezam desesperadamente, sem descanso, em busca da intervenção do Príncipe Divino, que não chega.

No dia cinco de janeiro de 1939, a três meses de completar o seu sexto aniversário e sem um médico à cabeceira, morre, de ignorância, estupidez e crendice paterna, Klaus Martin Einstein.

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publicado às 18:23


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